Prevalência de Lesões em Atletas de Alto rendimento no Taekwondo

Como o Janela Olímpica é frequentado também por atletas, estamos publicando hoje um interessante estudo feito pelo professor e pesquisador Gabriel Andrade Paz, sobre a “Prevalência de Lesões em Atletas de Alto rendimento no Taekwondo”.
Segue o artigo completo:
Prevalência de Lesões em Atletas de Alto rendimento no Taekwondo
O Taekwondo é uma arte marcial coreana, originada a mais de 2000 mil anos. Contudo a partir de 1950 iniciou-se o processo de desportivização do Taekwondo, que atualmente é um desporto olímpico praticado em mais de 100 países.A luta tem como principal objetivo a pontuação que ocorre, segundo as novas regras, quando o atleta consegue desferir chutes precisos e impactantes no tórax (1 ponto) e/ou na cabeça do adversário (3 pontos), todos os chutes giratórios ou com saltos valem 2 pontos.
As principais características da luta incluem movimentos que exigem potência muscular, velocidade de reação e resistência anaeróbia. Entretanto apesar dos atletas utilizarem obrigatoriamente protetores de tórax, genital e bucal, o Taekwondo é um desporto com contato forte e intenso, apresentando elevado índice de lesões na modalidade.
Logo o objetivo desse estudo foi verificar na literatura especializada, quais fatores podem interferir na ocorrência de lesões em atletas de Taekwondo e comparar com a realidade observada no estágio.Para esse trabalho foram considerados 3 estudos realizados por Mohsen Kazemi em períodos e características diferentes com atletas de alto rendimento no Canadá, país onde o Taekwondo possui um número relevante de praticantes.
Em pesquisa de Kazemi et al. (2004), ele avaliou os índices de lesões para homens e mulheres relativos ao total, tipo e mecanismo de lesões em uma competição nacional no Canadá.  O estudo foi realizado através de formulários registrando o atleta, gênero, índice de lesões, tipo de lesão, local e mecanismo de lesão. Um médico especialista praticante de Taekwondo e membro da sociedade internacional de quiropraxia realizava os diagnósticos.
As lesões foram determinadas em 3 circunstâncias: 1 – interrupção do arbitro; 2 – impossibilidades de continuar lutando; 3- necessidades de atendimento médico.
No estudo de Kazemi et al. (2005), onde avaliou as características do treinamento, os hábitos de treinamento para competição e o perfil das lesões dos atletas de Taekwondo de elite, ou seja, foram verificadas possíveis influencias das dietas pré-pesagem, aspecto psicológico, intensidade e volume de treinamento pré-competição. Sendo considerados, os mesmos critérios supracitados para diagnosticar as lesões. O ultimo estudo utilizado foi o de Kazemi et al. (2009), no qual ele verificou ao longo de 9 anos o registro de lesões em atletas de Taekwondo e possíveis associações com o nível de experiência, gênero, idade, tipo, localização e mecanismo de lesão, considerando a nova regra que validade 3 pontos para chutes na cabeça.
Os resultados principais dos 3 estudos podem ser observador nos quadros esquemáticos a seguir, comparando os mesmos segundo a escala do percentual observado:
Local da lesão
Kazemi et al. (2004)
Kazemi et al. (2005)
Kazemi et al. (2009)
1) Membro Inferior
1) Membro Inferior
1) Cabeça
2) Membro Superior
2) Membro Superior
2) Membro Inferior
3) Cabeça
3) Cabeça
3) Membro Superior
Tipo de Lesão
Kazemi et al. (2004)
Kazemi et al. (2005)
Kazemi et al. (2009)
1) Lacerações
1) Lacerações
1) Lacerações
2) Distenção
2) Contusão
2) Contusão
3) Contusão
3) Distenção
3) Distenção
Mecanismo de Lesão
Kazemi et al. (2004)
Kazemi et al. (2005)
Kazemi et al. (2009)
1) Chute defensivo
1) Chute defensivo
1) Chute defensivo
2) Chute ofensivo
2) Chute ofensivo
2) Chute ofensivo
3) Golpe simultâneo
3) Golpe simultâneo
3) Golpe simultâneo
Como visto a partir de 2005 passou a vigorar segundo a WTF (WorldTaekwondo Federation) novas regras de pontuação, onde chutes na cabeça passam a valer mais do que aqueles no tronco. Segundo Kazemi, diversos fatores são responsáveis para a ocorrência de uma lesão, como por exemplo, nível de experiência competitiva, gênero, tempo de treino, aspecto psicológico e microlesões em desenvolvimento.
Entretanto grande parte das lesões observadas é decorrente de microlesões originadas nos treino, que levantam a hipótese de que o atleta após uma competição não respeita um período adequado de recuperação.
Essa hipótese foi verificada na academia de luta onde faço estágio, onde 3 atletas já tiveram lesões ligamentares no joelho por conta de estresse excessivo da articulação, sendo 2 casos cirúrgicos. Outro ponto observado é a não utilização de toda proteção durante os treinos, ou seja, raramente utilizam-se protetores nas mãos e no antebraço. Logo é comum perceber microlesões em ossos da mão e nos metatarsos, por conta do chutes que acertam o cotovelo do companheiro de treino.
Desta forma, aconselho atenção especial ao período de recuperação após competição e a utilização do máximo de proteção possível durante os treinamentos e nas competições.

 

 

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