Um tiro (com arco) certeiro do Brasil

O jornal “O Fluminense”, de circulação em algumas cidades da Região Metropolitana do Rio de Janeiro (como Niterói, São Gonçalo, Maricá, Itaboraí), publicou recentemente uma interessante matéria sobre o Tiro com Arco. Veiculado na revista dominical “O FLU”, a reportagem de Prisca Fontes tem o título Busca pelo ouro – sul-coreano e italiano, unidos para treinar os brasileiros. Agora, você de todo o Brasil pode conferir as entrevistas:

“O esporte pode vencer tudo, até as barreiras de liguagem. A prova disso é o Campo de Treinamento de Tiro com Arco, em Maricá. Foi um desafio entrevistar o treinador Lim Hee Seek, recém-chegado da Coréia do Sul, e que conhece apenas algumas palavras em português, e o diretor Eros Fauni, muito fluente na língua portuguesa e possuidor de um belíssimo sotaque italiano. Dois homens de países e culturas diferentes, mas com objetivos em comum: transformar o Brasil em uma potência do Tiro com Arco e conquistar uma medalha de ouro nos Jogos Olímpicos em 2016.”
Prisca Fontes

Lim Hee Seek, 42, técnico da seleção brasileira de Tiro com Arco

Como começou o seu interesse pelo Tiro com Arco?
Comecei a praticar o esporte com 13 anos. Na Coréia do Sul, o tiro com arco é praticado nas escolas. Os alunos começam desde cedo a conhecer melhor o esporte. Tomei gosto e segui firme, com dedicação. Profissionalmente, pratico há 20 anos.

Quantas medalhas você já ganhou?
Tenho medalhas dos Jogos Olímpicos de 1999, Private Gold 2001 e ouro individual no Grande Prêmio da Europa.

Você já foi treinador antes?
Já treinei as seleções da Coréia do Sul e Japão entre 2007 e 2009.

Como foi a adaptação ao Brasil?
Estou em Maricá desde fevereiro de 2010. O mais difícil na adaptação está sendo a língua. Mas agora já consigo me comunicar melhor com os atletas e integrantes da Confederação Brasileira de Tiro com Arco (CBTArco). O ambiente e a comida são muito agradáveis. As pessoas também são muito carismáticas e simpáticas.

Quais as principais diferenças entre a seleção brasileira e da Coréia do Sul?
Os fundamentos diferentes, a posição estável que a Coréia do Sul tem nesse esporte é importante para os jogadores. Quando o Brasil tiver a mentalidade de investir mais no esporte pode se tornar referência em várias modalidades. Os brasileiros podem ser muito bons no tiro com arco. Essa é uma época muito boa para se tornar um jogador, mas é preciso esforço e dedicação.

Sua família vem para o Brasil em 2011. Eles também praticam o esporte?
Minha esposa e meu filho chegam agora em janeiro. Minha mulher, Wang Hee Kyung, também é medalhista de tiro com arco. Nas Olimpíadas de 1988, em Seul, ela conquistou o ouro e a prata nas categorias individuais. Mas meu filho não está interessado em esportes!

O Brasil tem chances de conquistar medalhas em 2012 e 2016?
Vai ser difícil em 2012. Mas em 2016 temos chances. Estou vendo muito interesse dos dirigentes e vontade dos atletas.Iremos trabalhar duro para alcançarmos esse objetivo, já que, em 2016, o Brasil, por ser país sede, terá a seleção completa nos Jogos. A medalha no tiro com arco vai ser como o primeiro gol da  seleção brasileira: inesquecível.

Eros Fauni, 62, diretor técnico do Centro de Treinamento

Quais as características que um jovem precisa ter no Tiro com Arco?
Disciplina e dedicação, como todo esporte. Não tem um perfil exato – não precisa ser alto, como no vôlei. Quem tema coordenação motora bem desenvolvida tem mais facilidade. Se o jovem se esforçar, em dois anos ele está pronto para o Mundial ou para as Olimpíadas.

Vocês investem em jovens talentos?
Avaliamos mais de 100 crianças aqui de Maricá e, dessas, selecionamos 25 jovens de 12 a 18 anos. Temos um projeto para o próximo ano, uma parceria com seis escolas da região. O nosso técnico vai instruir professores de educação física no tiro com arco e depois vai à escola observar e selecionar os alunos que se destacam para começarem a treinar.

Porque vocês trouxeram um técnico da Coréia do Sul para o Brasil?
A Coréia é uma potência mundial em tiro com arco e ele é uma referência. Ele foi indicado pela melhor empresa que fabrica os arcos que usamos e treina três atletas da seleção permanente, mas agora no início do ano ele vai treinar a seleção completa: 12 atletas.

Quais as maiores dificuldades?
Todo o material é importado – os arcos, as flechas, até os alvos. É um esporte caro para iniciar. O tênis, por exemplo, é um esporte barato no início – você só precisa da raquete e das bolas, mas durante a vida como jogador você troca esse material com muita frequência. No tiro com arco, é o contrário: a pessoa tem um gasto inicial grande – um arco não sai por menos de US$ 800 -, mas depois não tem mais nenhuma despesa.

Como está a seleção brasileira?
Já nos classificamos para o Panamericano de Guadalajara, no México, e depois temos o Mundial, mas nosso objetivo máximo é 2016. Por ser o país-sede, nossas vagas já estão garantidas nas Olimpíadas do Rio, o que nos dá boa chance. O Brasil ainda está caminhando no tiro com arco, se você comparar com países como Itália e Coréia do Sul. Essa é uma das razões de trazer um sul-coreano para treinar a equipe. Mas em termos de América do Sul, estamos bem à frente. No campeonato Sul-Americano do início do ano, ganhamos quase todas as medalhas. Há um ano estávamos em 51° lugar no ranking mundial, agora estamos em 32°.

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