Rio 2016: um ano se passou

A escolha do Rio de Janeiro para sediar a Olimpíada de 2016, renovou as esperanças de quem está envolvido com os esportes olímpicos. Para os atletas, a possibilidade latente de obter melhorias na estrutura e nos patrocínios. Para as confederações, aumento nas receitas e a oportunidade de ganhar maior visibilidade. E para o espectador, a chance de apreciar grandes espetáculos, sonhando em ver o Brasil se tornar potência olímpica.

No entando, até o momento, após pouco mais de 1 ano, quase nada se viu evoluir no que diz respeito à estrutura. Nenhum grande centro de treinamento ou de formação foi iniciado. E os atletas continuam dependendo de clubes, pouco estruturados em sua maioria. Além disso, a dificuldade de patrocínio ainda afeta os talentos brasileiros. Os recursos esbarram nos estatutos e na burocracia dos mal administrados clubes. Em outros casos, o obstáculo é a falta de boa vontade de quem se propõe a investir, como o ocorrido com alguns ginastas da Seleção Brasileira, no frustrado acordo entre Flamengo e a prefeitura da cidade de Niterói.

Curiosamente, há também um afastamento dos atletas de suas respectivas confederações. Por sua vez, as entidades não aproveitam o momento, e assim, deixam de captar recursos e não ganham exposição. Empresas dispostas a investir, e associar suas marcas ao esporte olímpico, existem. Mas não em qualquer projeto.

Antes de qualquer coisa, as confederações pracisam “se mostrar”. Precisam buscar visibilidade. Como bem frisou o jornalista e mestre de Taekwondo Marcus Rezende, em uma conversa informal, “não falta pauta aos veículos, então, eles não vão procurar as confederações para perguntar o que está acontecendo.” E se elas não aparecem, não recebem investimentos. É uma regra simples do mercado: ninguém quer jogar dinheiro no lixo, e se o investidor não vir a possibilidade de conseguir um mínimo retorno, não irá disponibilizar seu capital.

Quanto ao público, entusiasta desses esportes esquecidos pela mídia e por suas confederações, estes precisam ser mais ativos. Dizer à mídia o que querem ver. Os veículos de comunicação ditam moda, costumes e impõem seus interesses. E o “consumidor” os engole. Em um restaurante, escolhe o que vai comer. Diante da sua tv, apenas aceita o que vai assistir. Cabe ao fã, pedir, opinar, e assim, quem sabe, ver sua programação esportiva cada vez mais olímpica. Os atletas agradecem; as confederações também. E o jovem que sonha um dia disputar uma olimpíada pode assim, ver seu sonho ficar um pouco mais concreto.

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3 Comentários em “Rio 2016: um ano se passou”

  1. Rodrigo Says:

    Realmente é lamentável o “descaso” das autoridades responsáveis. Espero que esse quadro mude rapidamente, e o Brasil começe a respirar os Jogos Olímpicos. Acho que falta “cair a ficha” em muita gente ainda, muita gente.

  2. Júlia Says:

    Tá tudo errado mesmo… Falar bem do esporte em geral e das Olimpíadas é fácil, mas na hora de investir que é bom… realmente acredito que seja preciso uma cobrança maior do povo, como em quase todos os aspectos.
    Adorei: “Em um restaurante, escolhe o que vai comer. Diante da sua tv, apenas aceita o que vai assistir.”
    É exatamente isso, incrível o poder da mídia!


  3. Parabéns pelo blog.
    Muito legal.
    Valeu por trazer à luz uma opinião minha.
    Sugiro que vc se aprofunde nesse tema, dando ênfase à pouca preparação das entidades de administração para segurar o que está por vir por conta das Olimpíadas de 2016.
    Grande abraço!


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