Ninguém lembra dos coadjuvantes

Vivemos na “Pátria de Chuteiras”, no planeta Bola. E aqui, os esportes disputados sem o adorado e redondo artefato enfrentam dificuldades cada vez maiores. São devidas, principalmente, ao exagerado numero de olhares direcionados ao Futebol. Entre os principais obstáculos encontrados, estão a falta de investimentos e o pouco espaço que recebem da mídia.

Logicamente, o futebol não é o único esporte abraçado pelos meios de comunicação. Temos diversos exemplos, como o homônimo das praias, o futsal, o basquete, vôlei, tênis. Mas também não é difícil notar a coincidência envolvendo todos eles. Lembram da bola? É ela, onipresente, fazendo com que até mesmo o golfe, que nem tem popularidade no Brasil, apareça na nossa tela. Assim como o insosso showbol, com suas seleções de boleiros aposentados.

O vôlei e o basquete já cresceram no Brasil. Há muito tempo recebem mais investimentos e visibilidade tanto do público quanto dos formadores de opinião. Em ambos, assim como em todas as outras modalidades citadas, facilmente conseguimos apontar atletas fenomenais. O brasileiro tem vocação para os esportes. O mais curioso é o fato de não se expandirem esse potencial para a extração de talentos em todos eles.

Claro, isso passa por diversas esferas. O investimento público e a iniciativa privada; o papel dos clubes e o das respectivas confederações. São inúmeros os fatores que podem levar à solução para a nossa carência na formação de atletas. Nesse primeiro momento, vamos direcionar o assunto para a questão do investimento.

Para a revelação de um fenômeno, em qualquer que seja a modalidade olímpica, é necessário investir na estrutura das categorias de base. Isso, muitos clubes brasileiros tentam fazer, na maioria dos casos, com um esforço hercúleo para manter o mínimo de recursos para seus atletas. O problema é a hora de atrair um patrocinador. E é nesse momento que o assunto se torna mais complexo. Vamos imaginar:

O clube procura um empresário em busca de patrocínio para sua equipe de Taekwondo. Por sua vez, o investidor vai querer saber que tipo de retorno sua marca terá após investir. Ao procurar sobre o assunto, percebe que são raras as aparições daquela modalidade na mídia (TV aberta e fechada, grandes portais esportivos). Ele concluirá que o patrocínio não será rentável para sua marca. Sem sucesso, o clube volta à estaca zero, sem receitas para ampliar a estrutura e precisando contar com a sorte – ou um talento fora do comum – para revelar um grande atleta.

As empresas de comunicação tem o poder de alterar essa situação. Seja tv aberta ou fechada, seja no ráio ou na internet, é muito simples: basta dedicar um espaço para falar de esportes olímpicos

No exemplo, o esporte citado foi o Taekwondo. Qual foi a última vez que você leu ou ouviu falar a respeito dessa modalidade? É um esporte que cresce muito no Brasil, com atletas de ponta como Natália Falavigna (ouro na Universíada’09; bronze nas Olimpíadas’08; prata no Pan’07) e Diogo Silva (ouro na Universíada’09; ouro no Pan’07). Imagine se esses atletas tivessem suporte desde as categorias de base, quando conqusitaram diversos títulos mundiais? E quantos outros atletas de primeiro nível o Brasil não teria revelado?

Existem países menos desenvolvidos que o nosso, e que ainda assim, conseguem melhores resultados nos esportes. Hoje, o país bate no peito e se orgulha por poder sediar uma Olimpíada em 2016. Mas quando vamos nos orgulhar por sermos uma grande potência olímpica? Estamos a pouco mais de 2 anos dos Jogos de Londres. É pouco provável que nesse pequeno espaço de tempo as coisas mudem. É claro que podemos fazer uma boa campanha, porém, nada além de um papel de coadjuvante. Mas em 2016, o Rio de Janeiro será a capital Olímpica. E o Brasil precisa ser o protagonista.

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2 Comentários em “Ninguém lembra dos coadjuvantes”

  1. Rodrigo Says:

    Infelizmente os responsáveis sabem disso e fecham os olhos, enquanto o COB se contentar em ser coadjuvante, a situação não muda. Aliás, o COB gosta de grandes eventos e parece não ligar para grandes talentos.

  2. Sandro Says:

    Realmente só o futebol é volizado no Brasil, os políticos só querem ganhar dinheiro e investir nos outros esportes que é bom, cade? Querem que Brasil ganhe muitas medalhas, como ? Se eles não investem pra que isso aconteça. O certo seria ter influencia desde pequeno nas escolas, como ocorre em outros países.


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